domingo, 26 de junho de 2011

Em 2º tempo desastroso, São Paulo é goleado, mas continua líder

  Foi um dia que tinha tudo para dar errado. Mas foi ainda pior. Já era sabido que o São Paulo viria cheio de desfalques para o clássico contra o Corinthians, no estádio do Pacaembu.  Rodrigo Souto, Juan e Lucas já eram ausências confirmadas. Mas, já no começo da manhã, Casemiro, que passou mal na concentração, foi vetado. Para piorar, Rhodolfo, com quem Carpegiani contava para a zaga, voltou a sentir do dores e também ficou de fora. No total, foram nada menos que cinco desfalques, meio time. Isso sem contar que Henrique Miranda, substituto natural de Juan, também foi vetado pelo departamento médico. A coisa foi tão feia que foi preciso improvisar o zagueiro Luís Eduardo na lateral-esquerda. Para o meio, Carpegiani chamou o garoto Rodrigo Caio, que nem concentrado estava e nunca havia jogado pelo time principal.

Inventaram essa bobagem de "Ferrari sem freio"... (Blog Marcello Lima)
  Com cara de tragédia anunciada, o São Paulo foi a campo com Rogério Ceni, Jean, Xandão, Bruno Uvini e Luís Eduardo; Carlinhos Paraíba, Wellington, Rodrigo Caio e Marlos; Dagoberto e Fernandinho.
  O primeiro tempo foi um treino de ataque contra defesa. Diante dos problemas, o São Paulo adotou uma postura totalmente defensiva e deixou o Corinthians jogar. Porém, a equipe do Parque São Jorge não conseguia passar pela marcação tricolor.
  Até que, aos 40 minutos, o lance que mudou o desfecho da partida: Carlinhos Paraíba fez falta dura no corinthiano Weldinho. Cartão amarelo, que virou vermelho, já que o são-paulino havia sido advertido minutos antes. Houve muita reclamação por parte do São Paulo, pois Jorge Henrique havia feito duas faltas semelhantes e nem amarelo tinha tomado. E o intervalo chegou com o zero no placar.
  Para o segundo tempo, Carpegiani não fez nenhuma alteração. Foi o grande erro. Logo na saída de bola, se aproveitando da perda de marcação pelo time são-paulino, o Corinthians chegou forte e abriu o placar, com Danilo. Carpegiani permaneceu estático e o resultado foi inevitável: Liédson marcou o 2º gol alvinegro.
  Só depois de levar dois gols em apenas oito minutos foi que o técnico são-paulino resolveu mexer. E ainda mexeu errado, trocando Marlos por Ilsinho, deixando em campo o inerte Fernandinho. Aos 16, o Corinthians chegou ao terceiro. Com três gols em apenas dezessete minutos, me lembrei logo do jogo postado na sessão "Meu Jogo Eterno", no qual foi o Tricolor quem fez a mesma coisa. E, logicamente, previ a tragédia que estava por vir.
  Confesso que não continuei acompanhando o jogo depois disso, a não ser por comentários em Orkuts e Twitters da vida. Mas não há o que dizer, a não ser que o baile continuou até os 5x0.
  O Corinthians teve grandes méritos. Ao contrário do que normalmente acontece hoje, não tirou o pé. Teve grande chance de aplicar uma golada histórica e não desperdiçou. Assim como fez o São Paulo em 2005 e ao contrário do que os próprios corinthianos fizeram em 2009, quando marcaram 3x0 fáceis em um São Paulo recém-eliminado da Libertadores e que demitira Muricy Ramalho um dia antes. Daquela vez, os alvinegros preferiram os gritos de "olé" das arquibancadas e ainda permitiram um gol são-paulino.
   Por fim, é preciso analisar essa partida com cuidado. Ok, perder de 5x0, ainda mais num clássico, não é qualquer coisa. Mas não podemos ignorar os fatos. Foi um jogo totalmente atípico, desde a quantidade de desfalques tricolores até os cinco gols corinthianos num único tempo. O São Paulo foi a campo com um time misto e conseguia segurar o Corinthians. Tanto que o 1º tempo foi 0x0. O que mudou o rumo da jornada foram a expulsão de Carlinhos Paraíba, na base do "dois pesos, duas medidas" e os gols em sequência na 2ª etapa, frutos da inércia de Carpegiani. O São Paulo ainda é líder, ainda tem um bom time. Afinal, ninguém vence cinco partidas seguidas por acaso. O que não podemos é sermos oportunistas neste momento. Mas o que ficou bastante evidenciado hoje foi o rombo no nível técnico do São Paulo quando sai algum titular. Para ganhar torneio de pontos corridos, é preciso elenco. E isso o Tricolor não tem, nem de longe. Que, ao menos, essa tragédia de hoje tenha servido para abrir os olhos da cúpula são-paulina. Afinal, é sabido por todos que as vitórias escondem os erros.

Em tempo: Com essa vitória, o Corinthians igualou sua maior vitória, datada de 1996. Mas não superou a maior goleada da história do Majestoso: 6x1 para o São Paulo, em 1933. Para quem tem dúvidas se o Tricolor daquela época é o mesmo atual, favor consultar o Estatuto do São Paulo Futebol Clube: "...preservador das glórias e tradições do São Paulo Futebol Clube, da Floresta, o qual foi fundado em 25 de janeiro de 1930.".


Postado por Éder Moura

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